“O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.”
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.”
Alberto Caeiro
Confesso que não dormi direito naquela noite. Ansiedade e confiança alternavam-se ao receio e conformismo, este que é o pior dos sentimentos.
Hora marcada: -“quinze para as nove eu passo na sua casa”, pois o jogo começava às 10 da manhã, o melhor horário do mundo para um domingo de sol de outono. Antes das oito, já de banho tomado e devidamente “fardado”, acordo a Denise para passar o café enquanto busco na padaria o pão quentinho para forrar o estômago, que o almoço de dia das mães só lá pras duas da tarde. Mas não fiz a barba que era pra mais mal encarar o bandeirinha quando fosse xingá-lo. Como eu sabia que iria xingar o bandeirinha? Ora, até ele sabia. Bandeirinha que não leva xingo para casa é tão real quanto torcedor do Grêmio Prudente, que até ontem era Grêmio Barueri, mas pode vir a ser Grêmio Votuporanga ou acabar de vez, que é o que merece. Mas isso é outra história.
Quinze para as nove e nada.
Dez para as nove e nada de Carlão, que nem é tão grande assim. Acho que é porque era beque.
Cinco para as nove e nada. E ainda teríamos que passar para pegar o Turco.
Duas, duas para as nove e ainda nada? E o meu ingresso? E se fura o pneu? E se não tem estepe? Pior, e se tem estepe mas não tem chave de roda? Era só o que faltava, esquecer a chave de roda em casa.
Nove e quinze, já babando e decidido a ir com o meu carro, ouço a buzina. Perguntem-me se convidei para uma xícara de café. Amigo é amigo, e esse só não levou xingos maiores porque era dia das mães e eles tinham um ingresso sobrando. Um não, dois, pois o Dela faltou. Vendemos o ingresso dele na fila.
No caminho liguei para o Vermeio, que este sim acordou cedo e mandou mensagem antes das oito intimando que nos encontrássemos todos na casa de Betão, mas ele não atendeu pois já devia estar na balburdia do estádio. O Turco, mal abriu a porta de casa já estava dentro do carro. E nem precisamos empurrá-lo. Quanto ao Du e o André, até hoje não sabemos se foram ou não. O Carmo estava lá, mas ficou na área VIP e só o encontramos depois do Jogo.
Perto do Estádio a polícia tinha colocado barreiras, mas estacionamos a poucas quadras. Quando vi o tamanho da fila para entrar, pensei que perderia o início do jogo e um bom lugar, mas depois de um início recalcitrante, a fila andou.
Escolhido o lugar, na meia-direita da Geral, foi só aguardar a entrada do maior time do mundo, inteiro de vermelho, com direito a duzentas horas de fogos de artifício e gritos da torcida que foram ouvidos em Piracicaba, ouvi falar. O outro time, um tal de Taubaté, veio de azul, cor do Aguinha, para serem defenestrados com mais vontade.
Depois de duas tensas horas conseguimos nosso objetivo que era o acesso à Série A2 do Campeonato Paulista de Futebol, em um torneio de futebol de verdade, onde ganhar fora de casa é façanha digna de Ilíadas, os gramados são esburacados, os uniformes racionados, os salários mínimos, bem diferente do futebol europeu de videogame. O Barcelona não passaria da primeira fase.
Tempos depois do apito final e do grito final, já sem voz e com a goela seca, fomos enfim à casa de Betão e, ajudados pela Thaís, acabamos com todo o seu estoque de cerveja e cachaça.
O Jogo? Quatro a um para o Velo, com direito a virada e dois pênaltis que só o juiz viu, um para cada lado.
Ô AGUINHA, PODE ESPERAR, A SUA HORA VAI CHEGAR!
2 comentários:
Texto emocionante, principalmente para quem participou da festa rubro verde. Parabéns, meu amigo.E como estava gelada a cerveja no Betão.
Muito legal !!!
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