O futebol brasileiro está decadente. Não a toa os três melhores meias do último Campeonato Brasileiro são argentinos. Não a toa o Corinthians, terceiro colocado deste mesmo torneio, foi eliminado na Pré-Libertadores pelo Tolima, e nossa seleção perdeu recentemente os jogos contra Argentina e França, ambos da “primeira divisão” do futebol mundial.
O motivo é um só: a dominação do “Logos” sobre “Eros” na nossa vida e consequentemente também em nosso futebol. Para tudo temos um objetivo, uma explicação, uma medida, inclusive para um dos “aspectos” de Eros, a Paixão. O “corinthianismo”, o “flamenguismo” e todos os outros “ismos” provam isso. Não nos basta gostar, temos que gostar mais, torcer mais e melhor, comemorar mais que os outros, sofrer mais que todos. Abandonamos quase completamente outra faceta de “Eros”, o Prazer- mas o prazer lúdico, infantil, de brincar por brincar, cujo final decretamos quando olhamos para um novo brinquedo.
Então abandonemos todas as táticas, treinos técnicos e preparações físicas e psicológicas? Claro que não! Afinal, há um objetivo neste jogo, há um “goal” a ser conquistado, há um adversário a ser batido. Mas só isto não basta, ou o melhor preparado ganharia sempre. Enquanto fomos, aos olhos do mundo e de nós mesmos, um país de despreparados, o espírito brasileiro impregnava nossos jogadores. Somos vira-latas, mas o complexo não atingia nossos jogadores, só a elite, a qual mantinha distância desse “esporte de pobres, mestiços e pretos”. Pois foram estes os que nos deram nossos primeiros três títulos mundiais e o estigma do “futebol bonito”, o primeiro da famigerada tríade futebol-samba-mulher bonita, como se o Brasil a isso se resumisse. Acreditamos tanto nisto e durante tanto tempo que todos os títulos já comemorados no Maracanã não preencheram ainda o silêncio da Final de 50.
A saída de jogadores brasileiros rumo à Europa existe desde sempre, mas era pequena e esparsa, situação que mudou radicalmente a partir da Copa do Mundo de 1982. O mundo ficou menor, a TV nos padronizou, e ficamos iguais a todos, somos cidadãos do mundo, com direito à passaporte europeu. Só que junto vem o espírito europeu, que não é ruim, apenas não é brasileiro. Podemos ser campeões do mundo? Claro, assim como sempre, mas não alimentemos mais a esperança de que ele volte.
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